Se eu não morresse nunca ! E eternamente buscasse e conseguisse a perfeição das coisas. (Cesário Verde 1855-1887)







segunda-feira, 18 de maio de 2015

ABELHAS DE ALUGUEL E DIVISÃO DO TRABALHO




O aluguel de abelhas, ou colmeias, por apicultores, é uma prática cada vez mais frequente e importante na produção de frutas no país. Para atingir um alto nível de polinização, e o significativo aumento de produtividade das lavouras, mesmo aqueles produtores com apiários próprios tem buscado a prática de alugar colmeias. A reflexão sobre esse tema, remeteu-me à “Terceira Onda”, importante obra de Alvin Tofler da década de 70.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

MOÇÃO DE REPÚDIO À FALTA DE PRODUTIVIDADE



Lendo o JC de 16/04/15 tomei conhecimento que a Câmara Municipal de Porto Alegre, no dia anterior, votou duas moções de repúdio, após duas horas de polarizadas discussões. Uma delas, contra a demora do presidente do STF em dar seguimento a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) que trata do fim do financiamento privado às campanhas eleitorais, foi rejeitada, enquanto que a segunda, contra as prisões e cerceamentos políticos supostamente cometidos pelo governo da Venezuela, esta foi aprovada. Apesar de aprovar imensamente o interesse dos vereadores sobre esses assuntos, assim como de todos os brasileiros, me pareceu que tais assuntos deveriam estar na pauta da pausa do cafezinho. Ou na hora do chopinho.

domingo, 14 de dezembro de 2014

PESADELO DE DRAGÃO

Boca seca. Não sede. Só secura. A língua está uma lixa e machuca o céu da boca. O palato. Ao invés de fazer cócegas, arranha. Tive um sonho. Um pesadelo.
Eu era um dragão. Não estava fantasiado, era mesmo um. Não soltava fogo, mas tinha duas cabeças. E nenhum rabo. Então tinha duas frentes e nenhuma traseira. Duas cabeças completas com orelhas, narinas, boca, tocos de guampas. Uma na frente e a outra na outra frente. Quatro patas. Duas voltadas para a frente e duas para a outra frente. Mas uma das cabeças olhava, e se alimentava, do passado. Alimento vencido, esverdeado, podre, vomitado. A outra estava de frente para o futuro e se alimentava dele. Alimento fresco, virgem, não conhecido.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O CORAÇÃO FAZ MERDA

Fiz essa foto de uma parede grafitada nos passeios que ligam as Cinque Terre. Não foi só isso que me chamou atenção, tenho outras fotografias também, de paisagens e locais belíssimos.
O sentido que dei para essa mensagem, absolutamente alinhado com o que penso, é que O CORAÇÃO FAZ MERDA. É claro que não é só o coração que faz merda, nem o coração faz apenasmente merda. Esclareço também que há muita probabilidade do coração fazer merda se o deixarmos só, com seus impulsos determinando diretamente as ações. Portanto, recomendo: não deixe seu coração fazer merda, entre o impulso nascido dos sentimentos e a ação, use o filtro e o caminho da razão.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

AS NEVES DO KILIMANJARO

Um filme bonito e leve, que nos motiva à reflexão.
Destaco uma citação a Jean León Jaurès, socialista francês (1859-1914), que embora reconhecendo a luta de classes, propunha uma revolução social democrática e não violenta. Morreu assassinado.
"Coragem é entender a própria vida, torná-la mais clara e profunda, estabelecê-la e harmonizá-la com a vida em sociedade" (Jaurès)
O filme está disponível para locação em "E o vídeo levou ...".

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

MARINAR, VERBO TRANSITIVO DIRETO




Marina marina o salmão!
Diz o dicionário que “marinar” significa deixar o alimento temperado em repouso antes de leva-lo ao fogo. Pois parece que os candidatos dos partidos hegemônicos estão sendo marinados, e depois serão levados ao fogo.

Vinte anos atrás, numa magnífica aula na UFRGS, o Prof. Francisco de Araújo Santos, filósofo e economista de ideias claras, expunha sua visão de que PT e PSDB tenderiam a ser um dia a grande força nacional de centro-esquerda. Assim como a lembrança, as palavras são minhas. Desde então, temos visto os 2 partidos de semelhantes ideologias colocarem-se em lados antagônicos na política brasileira, exercendo uma alternância de poder que tem exigido coalizões com a maioria dos demais partidos, mesmo com aqueles sem consistência ideológica, que aderem ao ganhador visando a seus próprios interesses. Na troca, viabilizam a “governabilidade”, que sai arranhada e comprometida, pois o funcionamento do governo fica refém de interesses apenas partidários.

Mesmo tendo lutado como irmãos contra a ditadura militar e pelas “diretas já”, PSDB e PT se afastaram e se opuseram com fortes rancores e eternas disputas sobre quem seria o melhor. Se é este ou aquele o pai do Plano Cruzado, ou do Bolsa Família, e por aí adiante. No que realmente importa, como democracia, estabilidade da moeda, programas sociais e crescimento econômico, esses 2 partidos olham na mesmíssima direção, e, talvez a principal diferença está nas classes socioeconômicas que representam.

A notícia boa é que a candidata a “chef” da cozinha brasileira pelos próximos 4 anos, Marina Silva, diz estar empenhada em convidar esses importantes partidos de centro esquerda a participar de seu possível futuro governo. Apesar da falta de estrutura partidária do PSD, ou da Rede Sustentabilidade que ainda não tem registro, e da aparente fragilidade de sua figura física, essa Marina Silva de pouca rejeição política, poderá sim ter forças para nos levar a uma coalizão política de centro-esquerda e nos livrar, quiçá em definitivo, da política do fisiologismo e clientelismo que nos acompanha desde sempre.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

QUEM TEM MEDO DA AMAZON?



Na semana passada fui às compras. Curioso com a entrada da Amazon no mercado brasileiro, escolhi 4 títulos importantes de literatura para enriquecer minha mínima biblioteca e pesquisei  nos sites de 3 livrarias: dessa questionada Amazon e de duas outras que já sou cliente, talvez as maiores do Brasil. Acabei encontrando os 4 títulos na recém chegada ao Brasil e os receberei em casa por R$88,55.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

GRADES DA EXCLUSÃO



Publicado no Jornal do Comercio em 25/08/2014

Poucos anos atrás, tentava-se impedir o acesso e uso como moradia das pontes da Avenida Ipiranga. Já, nestes dias, noticia-se a instalação de grades e estruturas em prédios particulares visando à proteção de seus habitantes contra os chamados moradores de rua. Os motivos que nos levam a evitar essas pessoas não são subjetivos, tampouco irrelevantes. De fato, em face da pobreza desses moradores de rua, pode haver mau cheiro e acúmulo de sujeira onde se estabelecem. Somado ao crescente medo que nos provoca a violência e a insegurança urbana, parecem estar justificadas as ações de segregação que, ao alcance de nossa mão, nos oferecem um alívio imediato.

terça-feira, 29 de julho de 2014

ENTRE OS LEGADOS DA COPA

A imprensa tem noticiado amplamente o afluxo de cidadãos de Gana que, aproveitando a Copa para entrar no Brasil, buscam refúgio em nosso país. Só em Caxias do Sul estariam 200 pessoas em busca do reconhecimento da situação de refugiados e, mais do que isso, de oportunidades de vida digna. De todos os legados da Copa (reais e imaginários), este fato me sensibiliza, orgulha e motiva enormemente para continuar torcendo que nosso país se mantenha como uma referência nos programas de acolhimentos humanitários.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

FEITIÇO DO TEMPO




Tendo lido (e apreciado) o artigo de Contardo Calligaris (Folha de São Paulo, 05/06/2014), psicanalista que escreve às quintas-feiras nesse jornal, procurei o filme referido (Feitiço do Tempo), que foi uma agradável surpresa. Talvez por ter lido antes o artigo.
Nesse artigo, o autor aponta o ato de vida como necessário para nos libertar do tempo, pois a vida nos aprisiona e faz cada dia ou semana parecer igual às anteriores.
Mas, na mesma importância, há uma outra vertente, que é a libertação através da mudança do comportamento centrado em seus interesses (egocentrismo) para o altruísmo (dedicação aos outros).
Assim, uma interpretação possível, é que o personagem do filme só consegue se libertar do “feitiço do tempo”, quanto desenvolve atos de vida altruístas.
Dica: o filme está disponível no NETFLIX.

segunda-feira, 3 de março de 2014

FIM DE TARDE COM TCHEKHOV E PIZZA



Eram em torno das sete da tarde, mais um bocadinho e seria noite. No hemisfério sul, em pleno horário de verão, àquela hora, o sol, embora já indicasse que mais um dia terminaria, ainda despejava seus raios no entorno da casa de Ferdinando.
Onde ele estava já havia sombra dos prédios em frente, e, tirando proveito disso, pois mesmo em um dia escaldante pode-se tirar proveito do sol – ou de sua ausência -, ele acomodou-se na pequena área de um minúsculo patamar, em frente à porta principal de sua casa, em nível superior à rua e seus movimentos. Organizou seu acolhedor recanto e acomodou-se para apreciar aquele entardecer.
Sentado numa cômoda cadeira de jardim, aproximou uma pequena mesa de centro, de forma quadrada, que usava para estender as pernas, e, à sua direita, apoiou no chão de piso cerâmico seu aperitivo preferido para o verão. Martini branco com uma cereja, três colherinhas de maraschino, e muito gelo. Tudo isso em uma taça alta bojuda, própria para vinhos. Trouxe também um livro de contos de Tchekhov, que já o acompanhava pela casa a três ou quatro meses, e que, se poderia dizer, estava em permanente leitura.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

VANDALISMO



Esses caras fazem um barulho danado e eu lembro do “vândalo” que aprisionei em algum lugar do passado, mas que dá sinal de vida a cada noticiário que vejo.
Em 1968 eu não sabia muito bem porque atirava pedras. Hoje eu saberia, mas estou meio fora de forma. O que não me impede de identificar alguns sentimentos comuns. Além do mais, às vezes, somente a voz das pedras é ouvida.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

SOBRE LOBOS E ESTEPES (MINICONTO)

Eu havia produzido o miniconto abaixo, e me dera por satisfeito:

Novos tempos
"Nas estepes não há mais lobos. Vieram todos para a cidade."

Mas meu amigo, Ferdinando John, preferiu temperá-lo com uma pitada de ideologia. E escreveu:
Modernidade
"Planta-se soja nas estepes. E os lobos a negociam na bolsa."

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A (meia) GREVE DOS BANCÁRIOS


Publicado originalmente no Jornal do Comercio (RS), em 02/10/2013
( http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=135882)

Anualmente, nesta mesma época, os bancários entram em greve. Por tempo indeterminado, as greves podem durar semanas. E todos os anos fico tentando descobrir que outras ações, além de parar o atendimento ao público, são colocadas em prática pela classe e pelo sindicato que a representa. Nada vejo. A rigor, o sistema bancário não para.

domingo, 29 de setembro de 2013

QUANDO ACORDEI, O DINOSSAURO AINDA ESTAVA LÁ.

 


Nunca tive atração por dinossauros. Nem os percebia como animais simpáticos ou merecedores de minha atenção. E se aparecesse algum na minha frente, não o levaria por compadre.  Não que estivesse a ponto de odiá-los, pois, sem conhecê-los minimamente, me sentia incapaz desse mau sentimento. Falando francamente, a coisa se resumia na falta de interesse mesmo, pois esses dinossauros não tiveram nenhum papel em meu mundo real ou imaginário.

domingo, 25 de agosto de 2013

Para não dizer que não falei de IMPORTAÇÃO DE MÉDICOS


Publicado originalmente no Jornal do Comércio, em 27/08/2013
http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=132839

Vendo a ZH on line de hoje, me fixei na manchete (e foto) da chegada a Porto Alegre dos primeiros profissionais vindos da Argentina para o programa “Mais Médicos”. 


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

PRESSA (miniconto)

 
"As velinhas sempre chegam na hora do parabéns. Dão seu show de luzes e vão embora. Nunca podem continuar na festa."

quarta-feira, 19 de junho de 2013

UMA RESPOSTA POSSÍVEL AO MOVIMENTO PASSE LIVRE

Publicado originalmente  em 19/06/2013 no Jornal do Comércio
http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=127079


Nestes dias em que eclodem e persistem movimentos de protesto contra o aumento de passagens do transporte coletivo municipal, tendo como protagonista o MPL (Movimento Passe Livre), fico a remoer permanentemente a notícia que foi publicada em jornal de circulação nacional, em fevereiro deste ano de 2013: “Tallin é a primeira capital europeia com transporte público grátis”.

terça-feira, 1 de maio de 2012

XAMPUS NUNCA ESTÃO SÓS

João Baptista dos Santos Lima. Esse era seu nome. Eu o chamava de Seu Baptista, sem pronunciar o “p”, pois me explicara que aquele “p” era um “p” mudo. Sempre o tratei com muita cerimônia. Primeiro porque usava invariavelmente gravata. Da mesma cor do terno. Azul marinho. Ou azul noite, talvez, pois era um azul muito escuro. Não seria exagero dizer azul marinho noite. E o nó da gravata era bem cheio, com muitas voltas e laços, exigindo um colarinho largo. Formava um triângulo isósceles perfeito, com a parte superior bem maior do que os lados propriamente ditos. Mais tarde vim saber que o nome desse nó era - e ainda é - Windsor, ou Duque de Windsor. Teria sido inventado por Eduardo VIII, que reinou por um curto período em 1936. Um reinado relâmpago. Recentemente desempenhou seu próprio papel no “Discurso do Rei”, muito bom filme, recomendo. Ao final, abdicou por uma mulher. Romantismo ou tolice. Quem sabe?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A PRIMEIRA MONARK A GENTE NÃO ESQUECE

Ferdinando John também gosta de Campari. Não pretendo enumerar ou realçar aqui as muitas coisas que Ferdinando John gosta - e já adianto que são muitas mesmo – mas quero dar ênfase que, assim como eu aprecio um Campari com muito gelo e limão, Ferdinando John também. Não diria que goste mais do que eu. Nem menos. Apenas, como eu, gosta de Campari.