Se eu não morresse nunca ! E eternamente buscasse e conseguisse a perfeição das coisas. (Cesário Verde 1855-1887)







terça-feira, 29 de outubro de 2019

COMO NÃO FALAR SOBRE A MORTE COM AS CRIANÇAS?



Publicado na Folha de São Paulo, Edição Impressa de 29/10/2019


Para onde foi a vovó é pergunta tão fácil quanto impossível de responder.




Vera Iaconelli
 
Diretora do Instituto Gerar, autora de “O Mal-estar na Maternidade” e "Como Criar Filhos no Século XXI". É doutora em psicologia pela USP.

O psicanalista Mario Eduardo Costa Pereira, autor do best-seller “Pânico e Desamparo” (Escuta, 1999), começou sua fala num evento recente de psicanálise avisando que precisaria sair impreterivelmente às 12h00. Completou a informação com a frase: “tenho que encerrar no horário marcado, pois vamos todos morrer”.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

ENQUANTO O STF NÃO CHEGA


Enquanto aguardamos o STF, não custa refletir um pouquinho. Para meu uso e proveito, organizei o seguinte raciocínio lógico, que poderá ser útil, ou totalmente descartado, pelo leitor:




sábado, 20 de julho de 2019

CINQUENTA TONS DE CINZA



Durante a recente reunião da cúpula do G20 no Japão tivemos ampla informação sobre o Acordo de Paris e a definitiva adesão do Brasil. Também temos lido sobre a onda de calor que atinge a Europa, matando pessoas, provocando incêndios, alterando e restringindo a vida normal das pessoas. Sabemos também sobre o aquecimento do solo, dos mares, catástrofes naturais, alterações de clima, etc.
Pois o Planeta está com febre de quase dois graus. Sua temperatura média subiu de 13,5 C para 15,0 C desde a revolução industrial. Podemos ter uma idéia do “desconforto da Terra” com a febre por experiência própria. Como nos sentimos com uma febre de dois graus? Assim como nós, a Terra é um sistema vivo. Muito mais vivo e muito mais sistema do que nosso vão conhecimento percebe. Sabe-se por ex. que “uma colher de chá de terra de pastagem chega a conter 5 bilhões de bactérias, 20 milhões de fungos e 1 milhão de algas e protozoários” (Capitalismo Natural, Fritjof Kapra). Dá para imaginar o conteúdo vivo em cada metro cúbico de terra de pastagem ou floresta. É esse ecossistema complexo que mantém a fertilidade do solo e viabiliza a vida humana.
A principal causa da febre da Terra é a queima anual de 5-10 bilhões de toneladas de carbono que a milhões de anos foi fixado pela fotossíntese, na forma de carvão, petróleo e gás natural, os combustíveis fósseis. Como se não bastasse o calor gerado acima da capacidade de absorção pelos ecossistemas atuais, essa queima e outras atividades humanas aumentaram em 50% a presença de CO2 na atmosfera desde a Revolução Industrial.
O Acordo de Paris objetiva baixar a febre da Terra e garantir um desenvolvimento sustentável. Através de um programa consistente de redução da emissão de gases estufa a partir de 2020 pretende-se inicialmente conter o aquecimento global e numa segunda etapa fazer sua temperatura voltar ao que era antes da revolução industrial. 
Pois em paralelo a essa situação, como se nada disso estivesse acontecendo no mundo e no Planeta, como se estivéssemos no auge da Era Industrial, aqui na “República Rio-Grandense” se estuda a implantação de um Polo Carboquímico, aproveitando nosso carvão, mais rico em cinzas do que em calorias. E as discussões seguem os critérios da decadente Era Industrial: estudos de viabilidade técnica e econômica, geração de empregos, impactos ambientais, e por aí afora. Mudou o paradigma e não nos avisaram.
Como diria aquele personagem dos anos 80: “Chose de loque!”             

quarta-feira, 20 de março de 2019

O PATO, A MORTE E A TULIPA

















Em "O pato a morte e a tulipa", o escritor e ilustrador alemão Wolf Erlbruch nos incita a pensar na vida e na inevitabilidade da morte, por meio de uma amizade incomum. Pela sublimidade das imagens e texto, este livro é referência ao tratar a morte de uma forma absolutamente comovente e, ao mesmo tempo, reconfortante. Para crianças e adultos, que gostariam de aproveitar a vida sem a angústia de lidar com a morte.

A edição em português está esgotada.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

ENTREVISTA PARA RDC TV, CANAL 24, 06/12/18



Durante o programa RIO GRANDE EM MOVIMENTO, o autor de RESGATE EM PAMPLONA conversa com a entrevistadora Lilian Abelin, falando sobre a importância da leitura, livros, seu novo romance  enriquecido com ilustrações, e o personagem Miguel.
Entrevista a partir dos 43:45 minutos.





sexta-feira, 9 de novembro de 2018

RESGATE EM PAMPLONA - sobre o livro e o autor




Sobre o livro:


Um vídeo postado no YouTube é a ponta do novelo para Miguel Zabalea resgatar pessoas e afetos do passado, especialmente aquela que esteve tão próxima e desapareceu sem deixar rastro nem razões, durante o revolto ano de 1968. Ao remexer naquela história, ele busca o que parecia faltar em sua narrativa de vida, e reinterpreta os afetos que ainda o incomodavam.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

RESGATE EM PAMPLONA - Sobre a Plaza del Castillo




Ilustração de Carla Farias Souza da Costa


Situada no centro histórico de Pamplona, início e final de todas as ruas, é o ponto de encontro das famílias no final de tarde. Rodeada de cafés e restaurantes, essa praça é palco de apresentações ao ar livre, quando até os peregrinos de Santiago de Compostela podem se reabastecer de energia. É nessa praça que situa-se o tradicional CAFÉ IRUÑA, desde 1888, dado a conhecer para o mundo por Ernest Hemingway. Em uma mesa especial, que ainda lá está, o autor escreveu seus mais importantes romances enquanto se recuperava de ferimentos de guerra. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

RESGATE EM PAMPLONA - Sobre o Palacio de la Magdalena


Ilustração de Carla Souza
O Palácio de la Magdalena situa-se em Santander. Um ícone da arquitetura do norte da Espanha, foi construído entre 1908 e 1912 por iniciativa do município para presentear os reis ALFONSO XIII e Victoria Eugenia que aproveitaram como residência de verão.

RESGATE EM PAMPLONA - Sobre o Café Iruña






Iruña, no idioma basco, significa Pamplona. Apenas por estar na melhor localização de Pamplona, em frente à Plaza del Castillo, esse Café já teria uma razão suficiente para sua fama e tradição. Aberto desde 1888, talvez seu mais importante cliente, que divulgou o café para o mundo, foi Ernest Hemingway. Ao descobrir a cidade, correndo na frente dos touros nas Fiestas de San Fermin, adotou-a imediatamente, e ao café também, onde teve, por anos, uma mesa especial para fazer o que melhor fazia: escrever. Enquanto se recuperava de ferimentos de guerra, ali escreveu ADEUS ÀS ARMAS, e outros livros.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

RESGATE EM PAMPLONA - Sobre a AGASA, Açucar Gaúcho S.A.

A usina da AGASA situava-se em Santo Antônio da Patrulha. Os prédios que restaram ainda lá estão, e a chaminé pode ser observada por quem passa pela free way, à beira da lagoa dos Barros.


Ilustração de Carla Farias Souza da Costa
Na época, 1968, a AGASA ainda era visitada pelos estudantes de Engenharia Química. Consta que Miguel Zabalea, depois de fazer uma visita inesperada e narrada em RESGATE EM PAMPLONA, retornou 2-3 anos depois com sua turma da disciplina de Tecnologia de Alimentos.

Nessa época o município de Santo Antônio já tinha a configuração atual. Não era mais o Posto da Patrulha fiscal, que controlava as mercadorias que saíam do RGS por essa rota, quando o município se estendia até a serra.

O que representou a AGASA para o município, sua implantação e desenvolvimento, pode ser visto em: https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/52355.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

UM ESTADO LIBERAL PODE PATROCINAR A ARTE?




Tomei emprestado ao filósofo do Direito Ronald Dworkin o título de seu artigo para lançar um olhar à “Lei Rouanet”. Defendida com unhas e dentes por muitos e execrada por outros tantos, essa lei de 1991 instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). Considerada o “principal mecanismo de fomento à Cultura do Brasil”, conforme o site do Ministério da Cultura, a Lei Rouanet estabelece as normativas de como o Governo Federal deve disponibilizar recursos para a realização de projetos artístico-culturais.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

MAS NÃO SE MATA CAVALO?


As lutas de MMA, cada vez mais divulgadas em nosso país e muito apreciadas por alguns públicos, me remetem sempre ao romance do americano Horace McCoy, “Mas não se mata cavalo?”. Publicado em 1935, época da depressão nos EUA, tem como cenário as competições de resistência em maratonas de dança, que premiavam o casal que conseguia ficar em pé depois de vinte, trinta ou mais horas na pista.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Indicação de leitura: TERAPIA, David Lodge

Sinopse 

"Laurence Passmore tem uma vida invejável, um carro de sonho, uma vivenda fabulosa em Rummidge, um apartamento de luxo em Londres, dois filhos adultos e felizes, um casamento estável e sexualmente activo, uma amante platónica e a paternidade de uma série televisiva de sucesso que o tornou praticamente rico.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Indicação de filme: O CIDADÃO ILUSTRE


Daniel Mantovani (Oscar Martínez), escritor argentino radicado há 40 anos na Europa, sem nunca ter retornado à sua terra natal, é vencedor do Prêmio Nobel. Aceitando o convite para receber a homenagem e o título de Cidadão Ilustre da Cidade, retorna ao povoado onde nasceu e que inspirou a maioria de seus livros.

Sua ilustre visita desencadeará situações complicadas entre ele e o povo local. Disponível na NETFLIX. Veja o "trailer". https://www.youtube.com/watch?v=joHFWAKwsOo

sábado, 14 de julho de 2018

TERRA, PLANETA LIXO



  O modelo de produção usado desde a Revolução Industrial consiste em transformar a natureza em lixo. Essa é a convicção que ficamos ao ler “Capitalismo Natural”, de Paul Hawken. De fato, as cadeias de produção nos oferecem quaisquer tipos de produtos para o bem-estar material, que, mais tempo menos tempo, dependendo do nível de reciclagem, serão descartados como lixo.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

TERAPIA PELA ESCRITA


A terapia de escrita, writing therapy ou expressive writing, é uma forma de terapia pela expressão, que usa o ato de escrever e processar a palavra escrita como terapia.


A maioria de nossos transtornos psicológicos decorre de traumas decorrentes de algum evento passado, devido ao significado que demos a isso. As terapias através da expressão nos permitem reviver aquele evento, para que possamos dar um novo significado e tornar suportável aquela experiência geradora de trauma. Ao ressignificar um evento traumático, mudamos nossas emoções frente àquilo, e passamos a viver em paz com aquela experiência até então dolorosa, como se reescrevêssemos a nossa história.

Como tratamento clínico, já largamente usado em muitos países, a terapia pela escrita já é uma ciência e, como tal, submete-se às práticas recomendadas pelos estudos e experiências.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

QUAL É MESMO O VALOR DO DIREITO?


Tomando o Direito como “o conjunto de normas jurídicas de uma nação” — essa é uma definição facilmente inteligível, embora de âmbito limitado —, fica fácil constatar que o Brasil tem Direito por todos os lados e para todos os gostos. Mas para que serve o Direito? Ora, não apenas o homem médio, mas qualquer cidadão dirá — ou entenderá — que o Direito serve para fazer Justiça.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

ALTERAÇÃO DE QUADRO




Antes de atender o telefone fixo tocando alto, olhei para o relógio de parede, exatamente sete horas. Sexta-feira, sete horas da manhã.

Interrompi o café e atravessei a sala já sabendo o que seria.

— Alô!

— Bom dia! Aqui é do Hospital Ernesto Dorneles, gostaria de falar com o Senhor Miguel Zabalea.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

SALA DE EMBARQUE, em vendas na Editora Metamorfose

http://www.editorametamorfose.com.br/945/sala-de-embarque





O geólogo João Camilo, ao insistir numa tese de mestrado atípica, não imaginava que a pesquisa de campo durante 30 dias num aeroporto provocasse um reencontro tão intenso com seus conflitos pessoais.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

AUTOESTIMA E (FALTA DE) CONHECIMENTO



Em situações frequentes e historicamente recorrentes — a pouco nas Olimpíadas —, ouve-se muito sobre nosso complexo de vira-latas. Tal complexo seria — na opinião de muitos — uma das principais causas que travam nosso desenvolvimento como povo e nação. Essa expressão, criada por Nelson Rodrigues após a derrota no jogo final da Copa de 1950 para o Uruguai, traduz a “inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo.” E o próprio criador explica que “não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima”.